A Grande Comissão é um mandamento claro de Jesus para a sua igreja. De modo geral, parte do que significa ser uma igreja evangélica é apoiar a propagação do evangelho para aqueles que nunca o ouviram. Na maior parte da história da igreja, isso significou o envio a longo prazo de missionários, oferta de dinheiro para apoiá-los e oração por eles. Sem viagens aéreas e internet, simplesmente não havia muito mais que uma igreja local no Ocidente pudesse fazer.

Agora, no entanto, as oportunidades para o engajamento direto em missões no exterior são muitas. Diante de tantas possibilidades, como uma igreja decide o que deve fazer? Baseado em décadas de experiência no outro lado da equação (como um trabalhador no campo vivendo no exterior), aqui está uma lista de coisas que a sua igreja NÃO deveria fazer no que se refere ao seu envolvimento no cumprimento da Grande Comissão.

1. Não ignore o imperativo missionário.

Muitas desculpas podem ser dadas para não fazer nada a respeito das missões globais, exceto, talvez, ofertas ocasionais para missões. Levar o evangelho aos não-alcançados é caro, desconfortável, inconveniente e, às vezes, até insalubre ou perigoso. Há tantas pessoas perdidas à sua volta onde você mora. Você tem tantas necessidades dentro da sua própria igreja. A lista poderia continuar.

Todas essas coisas são verdadeiras — e nenhuma delas é uma desculpa válida. Jesus não chamou você para a segurança, conforto ou conveniência. Ele chamou você para tomar a sua cruz e morrer. De fato, existem muitas pessoas perdidas em torno da sua igreja, mas você está ali para compartilhar o evangelho com elas. Mais de dois bilhões de pessoas no mundo não têm igrejas, nem crentes, nem acesso ao evangelho em qualquer lugar perto delas, e elas nunca ouvirão se ninguém for. De fato, você deve atender às necessidades das pessoas em sua igreja, mas há uma diferença entre necessidades reais e desejos ou preferências, e a maioria das igrejas no Ocidente tem mais do que o suficiente de ambos para atender as necessidades reais dentro dos seus termos e levar o evangelho para os não alcançados. Claro, fazê-lo pode envolver algum nível de sacrifício da nossa abundância, mas devemos fazer isso de qualquer forma. Não ignore o imperativo missionário, e faça mais do que apenas verbalmente. Considere seriamente a perdição do mundo.

2. Não vá sozinho.

Embora seja verdade que a evangelização do mundo é responsabilidade da igreja local, as agências missionárias e os parceiros de campo podem ser maravilhosamente úteis para você enquanto cumpre essa responsabilidade. As agências missionárias têm experiência em enviar e apoiar missionários, tanto a longo quanto a curto prazo, e também têm perspectivas sobre o que precisa ser feito e como fazê-lo.

Semelhantemente, os trabalhadores de campo no exterior têm experiência, vínculos e perícia que podem ser inestimáveis ??para uma igreja local em busca de um maior envolvimento. Tanto com as agências missionárias quanto com os parceiros de campo, a igreja local deve fazer o seu dever de casa e certificar-se de que existe uma compatibilidade real tanto na teologia como na filosofia missionária entre a igreja e aqueles com quem ela trabalhará. Contudo, uma vez que isso seja estabelecido, a igreja verá que bons parceiros tornam o envolvimento missionário tanto mais viável quanto mais frutífero.

3. Não tente estar no comando do campo.

Se você está em uma parceria com trabalhadores ou com uma agência no campo missionário, sua igreja local no Ocidente não deve tentar ser responsável pelo que ocorre lá. Culturas, povos e situações variam grandemente ao redor do mundo. As pessoas no campo compreendem essas variáveis ??de maneiras que você não entende. Se você quiser enviar uma equipe missionária de curto prazo, envie-os para fazer o que os trabalhadores de campo precisam fazer, não o que faz com que os temporários curtam a viagem ou se sintam bem consigo mesmos. Vá com um espírito de humilde servidão, não com um espírito de direitos. Siga os costumes e práticas que seus anfitriões no campo pedem que você siga, mesmo se não fizerem muito sentido para você. Certifique-se de que suas contribuições se encaixam na estratégia de longo prazo da equipe de campo. Ao usar o dinheiro, deixe-se ser guiado pela sabedoria e experiência dos trabalhadores de campo ao decidir o que deve ou não ser financiado. Se você não pode confiar nos seus parceiros de campo dessa forma, você tem os parceiros de campo errados. É suficiente lembrar que eles precisam viver com as consequências das suas ações muito depois que você sair.

4. Não tente fazer tudo em todos os lugares ao mesmo tempo.

As igrejas que recentemente têm tido uma paixão por atingir os não-alcançados muitas vezes se envolvem em uma abordagem aleatória para a missão global. Eles querem ir a todos os lugares, e às vezes eles tentam. Eles podem enviar uma equipe de curto prazo para um lugar e um trabalhador de longo prazo a outro lugar, tudo isso enquanto financiam um projeto em um terceiro local e se comprometem a orar por um quarto. Esse zelo é louvável, mas não muito útil. É bem melhor começar com um foco claro na parceria com um trabalhador ou equipe no exterior, ou com um grupo ou lugar específico de pessoas. Com o tempo, a capacidade da igreja pode crescer de modo a incluir outros povos ou lugares, mas você fará muito mais bem, tanto para a igreja quanto para o campo, se desde o início se concentrar em um ou poucos compromissos de longo prazo.

5. Não esqueça os seus trabalhadores quando estiverem em país estrangeiro.

Com muita frequência, os trabalhadores estrangeiros sentem que estão “fora da vista, fora da mente”. Dadas as possibilidades da tecnologia de comunicação moderna, não há razão alguma para isso acontecer na maioria dos lugares no exterior.

Como uma igreja que envia, permaneça em contato com seus trabalhadores que estão no estrangeiro. Certifique-se de que sua congregação ouça sobre eles, saiba deles, e ore por eles regularmente. Faça questão de orar pelas iniciativas estratégicas especiais que eles tomam, e também ore por aspectos materiais em suas vidas. Envie-lhes cartões e pacotes de cuidados, tanto quanto possível. Faça-lhes uma visita pastoral pelo menos uma vez por temporada, se possível. Mantenha comunicação profunda o suficiente para que você saiba sobre suas lutas, bem como sobre suas vitórias. Dê-lhes as boas-vindas, ame-os e escute-os quando retornarem do campo em breves intervalos. Não deixe que os trabalhadores estrangeiros sintam como se estivessem abandonados.

6. Não deixe as missões ao acaso.

Muitas vezes, as igrejas locais são mais reativas do que proativas, aprovando candidatos missionários que chegam a um senso de chamado por conta própria e apoiando as causas missionárias que interessam a alguém na congregação. Em vez disso, a igreja deve proporcionar oportunidades para o ministério intercultural, identificando aqueles que demonstram dons nessa área, encorajando-os a buscarem missões e treinando-os para serem discípulos e fazerem discípulos a nível global. A igreja também deve ser cuidadosa e estratégica no seu próprio envolvimento missionário, priorizando aqueles que ainda precisam ouvir o evangelho e com ênfase nos seus parceiros de longo prazo no exterior. As igrejas locais devem orar, priorizar e planejar com cautela o seu envolvimento em missões.

7. Não deixe as missões se tornarem apenas um interesse especial dentre muitos outros na igreja.

As missões precisam ser integradas em todos os componentes normais da vida da igreja. Para esse fim, o pastor titular deve estar totalmente comprometido e deve liderar o caminho. A oração por missões e testemunhos sobre missões devem ser incorporados ao culto principal, às reuniões de pequenos grupos e a qualquer outra prática regular da igreja. O pastor deve pregar sobre missões e sobre o desejo de Deus para as nações sempre que estes aparecerem no texto das Escrituras, não apenas durante um culto especial de missões a cada ano. A educação missionária deve ser ministrada a todos na igreja, não apenas a um pequeno grupo com esse interesse. As ofertas para missões devem ser priorizadas no orçamento da igreja e enfatizadas como um componente normal do discipulado. O avanço global do evangelho não é apenas uma área de interesse de uma pequena elite dentro da igreja. Todo crente compartilha essa responsabilidade, e toda a igreja precisa ser motivada a levar a Boa Notícia a todos aqueles que ainda não a ouviram.

 

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Original: 7 Things Your Church Should Not Do in Missions

Autor: Zane Pratt

Zane Pratt é o decano da Escola de Missões e Evangelismo Billy Graham e professor associado de missões cristãs. Pratt serviu como plantador de igreja e pastor nos EUA, além de ter servido como capelão no Exército antes da nomeação para o serviço no exterior em 1991. Ele viveu e trabalhou na Ásia Central até 2011, os últimos 10 anos em que tinha responsabilidades de liderança regional. Zane já escreveu vários artigos sobre teologia de missões.

Fonte: Instituto IMAG

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